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Soja, leite e amendoim são alergênicos comuns e aviso deve estar no rótulo

Georgia Castro

18/12/2017 04h15

Crédito: iStock

Quem não conhece alguém com algum tipo de alergia? Ou, mais especificamente, alguém que já teve uma reação alérgica a um alimento? Depois de uma experiência dessas, a pessoa se pergunta por que não havia nenhum alerta no rótulo sobre o risco de consumo.

Até 2015, de fato muitas vezes não tínhamos como adivinhar se os alimentos tinham ou não os chamados alergênicos, ou seja, agentes mais propensos a causar alergia. A informação não era obrigatória e, assim, enquanto algumas empresas declaravam na maior transparência a presença dessas substâncias, outras não escreviam nada, causando confusão e aumentando a insegurança dos consumidores.

Imagine a situação dos pais de crianças alérgicas, desafiadas em cada compra a selecionar, quase por instinto, o que elas poderiam oferecer aos seus filhos, baseando-se em pitadas de conhecimento prévio e nas poucas informações das embalagens. O desconforto para quem já presenciaram o filho  tendo uma crise, não é brincadeira… As reações provocadas por alimentos podem ir de urticária e inchaço até diarreia, existindo sempre o perigo de um choque anafilático em casos extremos. Ou seja, uma ameaça com potencial de matar.

Ainda bem que, agora, existe uma lei que obriga a indústria a declarar todos os alergênicos no rótulo. O que também fez a indústria de alimentos a reavaliar todos os processos e os produtos usados nas receitas. Parece simples, mas posso lhe assegurar que é bastante complexo.

Hoje encontramos facilmente nas embalagens os avisos:

Alérgicos: contém "o agente alergênico"

Alérgicos: pode conter "o agente alergênico"

E quais são os principais agentes alergênicos que devem ser destacados no rótulo?

Soja, leite, amendoim, castanhas, nozes, pecã, castanhas, ovo, pescados, pinoli, centeio, cevada, aveia, trigo e látex natural são alguns dos integrantes da lista dos alergênicos mais comuns nos alimentos.  Importante saber: essa lista foi criada a partir da prevalência de reações a esses agentes no Brasil.

Outros países, apesar de apresentarem uma lista com ingredientes que também aparecem aqui, possuem as suas particularidades. Por exemplo, aipo, sulfito e mostarda são componentes que podem disparar alergias, mas muito pouco usados pela indústria brasileira. Já na Austrália e na Nova Zelândia, por exemplo, é obrigatório a declaração da presença de pólen, geleia real e própolis de abelha. Devido ao alto consumo desses alimentos nestes países, a prevalência de alergias é expressiva e é necessário alertar os consumidores.

Também preciso lhe dizer que qualquer alimento, como uma simples banana, pode, em princípio, causar uma alergia. Outra coisa: quando o rótulo informa que o produto contém o alergênico, isto significa que o produto final com certeza o traz na receita. Por outro lado a declaração de pode conter significa apenas que, no seu processamento, o produto pode ter sido contaminado ao entrar em contato com algum alimento alergênico —pelo uso de equipamentos, pela pessoa que o manipulou ou até mesmo pelo próprio ambiente.

Por exemplo, na farinha de trigo, é possível encontrarmos a declaração de pode conter centeio, cevada e aveia. Isto ocorre porque os locais onde ocorre a moagem do trigo também realizam a do centeio, da cevada e da aveia. Mesmo que o moinho seja limpo, não se pode garantir que não haja nenhum "farelinho" perdido, ainda que minúsculo —mas capaz de provocar uma gigantesca crise alérgica em pessoas sensíveis.

Não é raro, ainda, encontrarmos nos supermercados alimentos com uma extensa declaração de componentes alergênicos, como foi o caso de um macarrão instantâneo que vi dia desses na prateleira. A lista tinha desde trigo e centeio até látex natural.

Fico me perguntando se, depois da nova lei, as pessoas se sentem mais seguras e confortáveis comprando os produtos para os seus filhos. Seria interessante ter aqui no blog alguns depoimentos para compartilharmos experiências. Afinal de contas, a ideia é dar mais tranquilidade a todos, evitando transtornos e mal-estar quando estiverem praticando uma das atividades mais prazerosas da vida, que é justamente comer.

Sobre a autora

Engenheira de alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e doutora em nutrição pela Universidade Estadual de Campinas e pelo INRA, na França, Georgia Castro passou mais de 20 anos na área de assuntos científicos e pesquisa aplicada de algumas das maiores indústrias de alimentos do mundo, conhecendo como poucos os bastidores da produção daquilo que chega à nossa mesa. Atualmente, trabalha como coach de saúde e bem-estar.

Sobre o blog

Um espaço para você saber a verdade e compreender a composição dos alimentos embalados, aqueles que compramos no supermercado, nos atacados, nas lojas de conveniências ou que pedimos em cantinas, lanchonetes, bares e outros locais tão presentes na vida cotidiana. Assim, com informação, você será capaz de fazer escolhas de forma mais consciente.