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Sucralose é um adoçante perigoso à saúde? Entenda

Georgia Castro

03/09/2018 04h00

Crédito: iStock

 

Entre os adoçantes, temos a sucralose, que é de fonte natural, assim como o xilitol, a stevia e a taumatina, proveniente  da cana-de-açúcar ou do milho, sofrendo uma reação química posterior. No caso do xilitol, ele vem do xarope de glicose, na maioria das vezes extraída do milho.

Já a sucralose é produzida por meio de um processo que substitui seletivamente três grupos hidrogênio-oxigênio da molécula de açúcar por três átomos de cloro. E esse cloro é um componente natural do sal, cloreto de sódio, que está presente em muitos alimentos, como alface, tomate, cogumelos, melão, lentilha, ervilhas, batatas…  Além disso, o cloro é um elemento adicionado à água potável do abastecimento público.

No caso da sucralose, o cloro entra para converter a sacarose –a molécula de açúcar — em sucralose, que é essencialmente inerte não é fermentável ou digerível, portanto não se transforma em energia e o organismo não a reconhece como um carboidrato. O resultado é um adoçante seguro, que tem gosto de açúcar, mas sem as calorias do açúcar.

Hoje, não sei por qual razão, as pessoas acham que tudo que é natural é melhor, mesmo que seja apenas de fonte natural e tenha sofrido um tratamento químico ou bioquímico posteriormente. Por vezes, isso pode ser verdade, mas nem sempre. É o caso da batata inglesa que pode apresentar os alcaloides, aquelas manchas verdes na casca. Eles são formados naturalmente, porém, dependendo da quantidade, são compostos que podem oferecer alto risco. Então, prestem atenção a essa história de que um alimento é tido como melhor só porque é natural. Acredito que aquilo que identificamos, controlamos, conhecemos e gerenciamos o risco, talvez seja melhor.

Uma questão de quantidade

Os adoçantes, chamados também de edulcorantes, são substâncias que são avaliadas, por órgãos internacionais como o JECFA- Joint Expert Committee Food Additives, composto por especialistas do mundo inteiro, para melhor identificação do perigo e controle de suas quantidades – o que denominamos de IDA ou ingestão diária aceitável.

Devemos gerenciar na dieta aqueles alimentos que ingerimos que contêm adoçantes para, assim, não ultrapassarmos a IDA. Por isso, usar adoçante em tudo pode não ser bom. Importante dizer que tanto os edulcorantes naturais, como os ditos artificiais, têm IDA e foram desenvolvidos para aquelas pessoas com necessidades especiais, como os diabéticos.

O limite máximo de uso definido para a sucralose pode variar de 0,02 até 0,04 grama por 100 mililitros ou miligramas. Já os glicosídeos de steviol, chamada de stevia, têm um limite de 0,045 até 0,06 grama por 100 mililitros ou miligramas. E o xilitol, taumatina, eritritol não têm limite de uso. Esses valores nos dão uma ideia que quanto maior o limite ou mesmo se não há limite máximo definido, a preocupação com o uso diminui, estamos falando de algo mais seguro. Este, sim, é um fator importante no consumo de adoçantes — aliás, para aditivos em geral.

Testes de segurança

Para a sucralose, foram conduzidos testes de segurança durante mais de 20 anos de pesquisa e sua segurança foi demonstrada em mais de 110 estudos científicos, além de reconhecida pelo Food and Drug Administration (FDA) e Codex Alimentarius – FAO/OMS, juntamente com outras autoridades reguladoras de saúde e segurança alimentar em todo o mundo. Ela foi determinada para  todos os consumidores, especialmente para fins especiais como as pessoas com diabetes, chegando à conclusão de que é um produto seguro desde 1991.

Esse longo tempo de aprovação –27 anos em mais de 80 países — nos ajuda a entender o histórico de uso, sendo a sucralose hoje adicionada a mais de 4.000 produtos. Não existe qualquer estudo demonstrando uma correlação de risco à saúde, desde que ela seja usada apenas em alimentos com temperaturas mais baixas.

Isso porque quando exposta a uma temperatura de 98 ºC (quase o ponto em que a água se torna vapor), ele fica instável e libera substâncias chamadas HPACs, compostos de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos clorados, que se acumulam no corpo e podem se tornar tóxicos, como demonstrou um estudo conduzido pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e publicado na revista online Scientific Report pertencente ao grupo Nature.

Então, dizer que determinado adoçante é melhor só porque é natural não é a razão correta para a escolha, que deveria ser pautada na quantidade máxima que posso ingerir sem preocupação, o valor da IDA quanto maior, mais seguro o adoçante. Muitas vezes esse limite é baixo devido a extração com substâncias, tais quais solventes orgânicos –hexano, metanol e outros — que devem ser eliminados no processo, sendo o residual indesejável.

Mas o melhor mesmo, se quer saber, seria consumir as bebidas, tanto chás, cafés quanto sucos, sem adoçantes nem açúcar e educar o paladar para o sabor natural dos alimentos. E… quando for comer aquele bolo, doce, chocolate, desfrute, porque prazer faz parte de uma boa nutrição.

Sobre a autora

Engenheira de alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e doutora em nutrição pela Universidade Estadual de Campinas e pelo INRA, na França, Georgia Castro passou mais de 20 anos na área de assuntos científicos e pesquisa aplicada de algumas das maiores indústrias de alimentos do mundo, conhecendo como poucos os bastidores da produção daquilo que chega à nossa mesa. Atualmente, trabalha como coach de saúde e bem-estar.

Sobre o blog

Um espaço para você saber a verdade e compreender a composição dos alimentos embalados, aqueles que compramos no supermercado, nos atacados, nas lojas de conveniências ou que pedimos em cantinas, lanchonetes, bares e outros locais tão presentes na vida cotidiana. Assim, com informação, você será capaz de fazer escolhas de forma mais consciente.