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Até que ponto a tapioca é mesmo a opção mais saudável?

Georgia Castro

25/12/2017 04h05

Crédito: iStock

Você já deve ter percebido: a tapioca vem se tornando cada vez mais presente no nosso dia a dia. Provavelmente, nos últimos tempos , você mesmo já comeu uma saborosa tapioca no café da manhã, no lanche da tarde ou até mesmo no jantar. O hábito, antes regional, se espalhou por lares de todo o Brasil.

Pessoas com estilo de vida saudável propagam a recomendação de consumir a tapioca no lugar do pão, alegando que ela é mais adequada do ponto de vista nutricional. Mas até que ponto isso tem fundamento?

A tapioca é feita da fécula da mandioca, que é basicamente composta por amido, um carboidrato. Depois de colhida, a mandioca é lavada com água, descascada, ralada e posteriormente centrifugada. Nesse processo, acrescenta-se água e é a altíssima velocidade da centrífuga que extrai a tal da fécula. Mas a mistura precisa ficar, depois, em um tanque, para que ela vá para o fundo, isto é, decante. Daí, toda essa água é removida.

A fécula então é seca, peneirada e embalada. O interessante é que, na maioria das empresas que produzem a tapioca que encontramos nos supermercados, todo esse processo ainda é bastante artesanal, seguindo o passo a passo usado há séculos pelos nossos antepassados indígenas.

Quanto ao valor nutricional, podemos dizer que cada 100 gramas de tapioca oferecem 331 calorias, sendo cerca de 0,5 % de proteína, 0,3% de gordura, 0,6% de fibra e os 81% restantes de puro carboidrato. Considere que a tapioca que a gente faz em casa geralmente usa apenas uns 50 gramas, ou seja, costuma ter metade das calorias, sem considerar o recheio.

Talvez você esteja se perguntando: se tem tanto carboidrato, por que a tapioca é considerada tão saudável? A resposta está no índice glicêmico, ou simplesmente IG.

Ele é calculado a partir da glicemia, isto é, do nível de açúcar  encontrado no sangue em até duas horas após a ingestão de um alimento. O consumo de alimentos com alto IG causam picos na taxa de glicose na circulação sanguínea, um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento do diabetes, por exemplo.

A tapioca tem um IG médio, menor que o pão francês, mas superior ao de alguns pães de forma integrais. Uma alternativa para melhorar o seu perfil nutricional é adicionar grãos ou farinhas integrais no seu preparo. Quinoa, amaranto e até mesmo farinha de feijão são boas opções para experimentar.

Só que nada disso adiantará se você não prestar atenção no recheio. Opte por itens reconhecidamente mais equilibrados, como um queijo minas frescal,  vegetais como o tomate, ervas, como orégano, e sementes, como a linhaça. Vale derramar um fio de azeite de oliva extra virgem para temperar.

Outra opção gostosa e mais reforçada é a tapioca com ovo, que pode ser misturado diretamente à fécula. Daí você tem a chamada crepioca. Ou pode simplesmente adicionar um ovo cozido picado ao seu recheio, criando um um balanço nutricional excelente entre carboidratos, proteínas e gorduras.

Mas se, de vez em quando, se você quiser preparar a sua tapioca com manteiga, jeito muito tradicional do Nordeste, não deixe de colocar alguma fibra, como, por exemplo, aquelas encontradas nas verduras e legumes (beterraba, brócolis, espinafre, repolho, abobrinha). Ou mesmo, prepare um suco com couve, abacaxi, gengibre com limão, sem coar. Aí a combinação ficará mais equilibrada.

Agora, além de ter um índice glicêmico superior ao de certos pães integrais, dizer que a tapioca é sempre bem mais saudável não é uma verdade absoluta. Como todo alimento, isso depende da quantidade que você come, da frequência de consumo e da combinação com os outros alimentos que irão compor a refeição. Costumo dizer que não existe alimento saudável, mas sim, uma alimentação saudável.

Sobre a autora

Engenheira de alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e doutora em nutrição pela Universidade Estadual de Campinas e pelo INRA, na França, Georgia Castro passou mais de 20 anos na área de assuntos científicos e pesquisa aplicada de algumas das maiores indústrias de alimentos do mundo, conhecendo como poucos os bastidores da produção daquilo que chega à nossa mesa. Atualmente, trabalha como coach de saúde e bem-estar.

Sobre o blog

Um espaço para você saber a verdade e compreender a composição dos alimentos embalados, aqueles que compramos no supermercado, nos atacados, nas lojas de conveniências ou que pedimos em cantinas, lanchonetes, bares e outros locais tão presentes na vida cotidiana. Assim, com informação, você será capaz de fazer escolhas de forma mais consciente.