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O que deve mudar com a regulação dos suplementos alimentares?

Georgia Castro

15/01/2018 10h07

Crédito: iStock

Não faz tanto tempo, os suplementos alimentares eram parte quase que exclusivamente da rotina de atletas ou de indivíduos que praticavam muito exercício físico. Hoje, porém, a suplementação passa a ser um hábito de quem busca apenas melhorar a qualidade de vida, mesmo sem ser um esportista ou "rato de academia".

O interesse é tão grande que, no apagar das luzes de 2017, precisamente no dia 29 de dezembro, foram abertas nada menos do que sete consultas públicas sobre esses suplementos. Consulta pública é a forma de o governo colher a opinião da sociedade –no caso, dos consumidores– para regulamentar algum produto.

Primeiro, entenda: suplementos são exatamente o que o nome dá a entender: produtos na forma de xaropes, cápsulas ou até mesmo em pó que, uma vez ingeridos, servem para suplementar –ou seja, complementar a alimentação, fornecendo nutrientes, isolados ou combinados. Também podem oferecer algumas substâncias bioativas. Estas, encontradas naturalmente nos alimentos, não são nutrientes, mas oferecem algum benefício para o organismo. É o caso do licopeno, o pigmento vermelho do tomate, por exemplo. Por fim, hoje em dia, os suplementos também podem incluir microorganismos que contribuem para a saúde intestinal, os chamados probióticos.

A novíssima regulamentação já especifica as substâncias que podem ser adicionadas a um suplemento. A lista é grande: proteínas ou aminoácidos, carboidratos, gorduras, fibras alimentares, vitaminas, minerais e, ainda, a imensa série de substâncias bioativas, como alho em pó, cafeína, creatina, coenzima 10, fitoesteróis, licopeno, luteína, zeaxantina, extrato de própolis…

A grande proposta, porém, é estabelecer a lista de benefícios de cada um deles. Por exemplo, a suplementação com o zinco remete a dez diferentes benefícios –auxiliar o funcionamento do sistema imunológico é um deles. Já a creatinina usada na forma de  suplemento melhora a performance durante exercícios repetidos de curta duração e alta intensidade. Enquanto cerca de 200 miligramas de cafeína, o equivalente a três xícaras de café, melhora o desempenho na atividade física, desde que o suplemento seja ingerido uma hora antes do treino.

Os fitoesteróis, psyllium, a quitosana e a proteína da soja estão relacionados  à redução ou à manutenção de taxas saudáveis de colesterol. Os ácidos graxos ômega-3, por sua vez, integram suplementos capazes de diminuir os triglicérides no sangue. E, no que diz respeito à formação de massa óssea, os suplementos podem combinar proteínas, vitamina D, vitamina K, cálcio, fósforo, magnésio, manganês e zinco –só para dar mais alguns bons exemplos.

Mas atenção: para você obter todos esses benefícios, não basta o suplemento ter esses nutrientes e bioativos na composição. Ele precisa passar por uma criteriosa avaliação de biodisponibilidade. Isto é, os cientistas precisam checar se seus componentes são, no final das contas, de fato bem aproveitados pelo organismo e se um nutriente ou bioativo na formulação não acaba inibindo a atuação de outro, o que pode acontecer.

Também é fundamental que um suplemento alimentar seja seguro e estável. Para isso, todo o seu processo de fabricação deve ser controlado com rigor, usando matéria-prima de excelente qualidade em dosagens extremamente precisas. É preciso ficar de olho até mesmo no tamanho das partículas dos ingredientes em pó, para você ter ideia da complexidade.

As condições de temperatura e umidade na área de fabricação e o material utilizado para a embalagem de um suplemento podem ser tão importantes para a entrega de um produto final confiável quanto a própria fórmula em si.  Muitas vezes, os valores declarados na tabela nutricional não batem com os do produto em si devido a fatores como a obtenção da matéria-prima de origem duvidosa, processo de produção sem controle e uma estocagem inadequada.

E não termina por aqui. Para que realmente os suplementos entreguem os benefícios a que se propõem, os cientistas precisam analisar a dosagem correta para cada grupo de consumidores. Por exemplo,  gestantes, crianças, idosos, ou praticantes de atividade física. Só com todos esses pontos levados em conta é que a suplementação pode se tornar uma importante aliada. E, por causa de todos esses fatores, espero que compreenda por que não deve levar qualquer suplemento para casa.

E que fique claro: qualquer benefício que você almeje começa com bons hábitos a partir de uma alimentação equilibrada e prazerosa, uma vez que nenhum suplemento substitui o alimento para valer.

Sobre a autora

Engenheira de alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e doutora em nutrição pela Universidade Estadual de Campinas e pelo INRA, na França, Georgia Castro passou mais de 20 anos na área de assuntos científicos e pesquisa aplicada de algumas das maiores indústrias de alimentos do mundo, conhecendo como poucos os bastidores da produção daquilo que chega à nossa mesa. Atualmente, trabalha como coach de saúde e bem-estar.

Sobre o blog

Um espaço para você saber a verdade e compreender a composição dos alimentos embalados, aqueles que compramos no supermercado, nos atacados, nas lojas de conveniências ou que pedimos em cantinas, lanchonetes, bares e outros locais tão presentes na vida cotidiana. Assim, com informação, você será capaz de fazer escolhas de forma mais consciente.