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Chás não são poções milagrosas e escolha deve ser feita com atenção

Georgia Castro

29/01/2018 04h10

Apesar de ser uma bebida bastante tradicional e presente na nossa sociedade há séculos, não se pode negar que o consumo regular dos chás vem aumentando significativamente ao longo dos últimos anos. Muitas plantas utilizadas na produção de chás possuem substâncias naturais, as chamadas polifenólicas, que possuem atividade antioxidante.

A grande badalação em torno do chá-verde, derivado da erva Camellia sinensis, resulta da sua grande concentração em catequinas, uma destas substâncias polifenólicas, quando em comparação, por exemplo, com outros tipos de chá, como o vermelho, amarelo, preto ou o mate.

No entanto, a ação antioxidante das catequinas dependerá diretamente das etapas de processamento a que foram submetidas o chá. É por isso que, em geral, estão em maior quantidade no chá preparado por infusão do que no chá pronto para beber.

Mas, além das propriedades antioxidantes, um estudo recentemente publicado na revista científica The Journal of Nutritional Biochemistry, demonstrou que, dentre uma variedade de efeitos benéficos à saúde atribuídos ao consumo do chá-verde, destaca-se o seu efeito no controle de peso.

Estes efeitos estão associados a diversos mecanismos bioquímicos e fisiológicos, dentre eles, podem-se destacar a estimulação do metabolismo lipídico pela combinação da ingestão de catequinas e a prática de exercícios físicos regulares. A hipótese predominante é que as catequinas influenciariam a atividade do sistema nervoso  aumentando o gasto de energia e promovendo a oxidação da gordura. A cafeína, naturalmente presente no chá verde, também exerceria influência neste mecanismo, atuando em sinergia com as catequinas.

Apesar do efeito promissor do chá-verde e seus compostos bioativos no tratamento do controle de peso, estudos clínicos adicionais devem ser conduzidos para melhor entendimento dos mecanismos potenciais propostos, envolvendo também a avaliação de modificações no apetite. Mas os chás não são porções milagrosas. Um plano alimentar adequado associado à prática regular de atividade física ainda constitui a principal ferramenta para a prevenção da obesidade e suas doenças associadas.

Como escolher o chá

Inicialmente, uma bebida preparada em casa, geralmente servida quente, hoje pode ser encontrada nos supermercados em uma grande variedade de apresentações como sachês, caixinhas, latas ou garrafas.

Por definição, o chá é um produto constituído de uma ou mais partes de espécies vegetais inteiras, fragmentadas ou moídas, com ou sem fermentação, tostadas ou não, obtidas de espécies vegetais aprovadas e seguras para o seu preparo. O produto pode ser adicionado de aromas e/ou especiarias para conferir sabor.

Um ponto importante quando falamos de espécies vegetais seguras é termos a certeza de que as mesmas estejam devidamente aprovadas quanto a sua avaliação de toxicidade, que considera quantidade de uso e efeitos adversos. Assim, o consumo de chás ou extratos vegetais oriundos de partes de plantas fora desta lista deve ser evitado por trazer riscos potenciais à saúde dos consumidores.

A escolha de compra do chá industrializado, que segue rígidos processos de qualidade e que atende as legislações sanitárias, seja ele pronto para o consumo ou não, é certamente uma excelente orientação para que se garanta a qualidade e a segurança do que se está comprando. Evidentemente, ao adquirir produtos a granel, geralmente vendidos em feiras livres, requer uma atenção especial neste sentido.

Os chás podem ser classificados como:

  • Solúveis: são os chás desidratados e obtidos por infusão em água quente, geralmente em saquinhos, como os de camomila, erva-doce, capim cidreira, hortelã, boldo, entre outros. Normalmente, estão associados a propriedades calmantes, relaxantes e digestivas.
  • Pronto para beber: são as bebidas já preparadas para o consumo, obtidas a partir do processamento de partes de plantas do gênero Thea (Thea sinensis), de erva-mate (Iléx paraquariensis) ou de outros vegetais podendo ser adicionados de outras substâncias de origem vegetal e de açúcares. Em geral, possuem uma lista de ingredientes mais extensa. São normalmente vendidos em embalagens plásticas, latas ou em caixinhas.

Importante mencionar que, no seu processo de desidratação para a industrialização, é normal que os vegetais percam alguns compostos aromáticos, aqueles que intensificam o sabor, e, por isso, os chás de saquinho podem apresentar um sabor menos intenso e por esta razão passar a percepção de que são mais fracos quando comparados a infusões feitas com planta in natura ou mesmo dos chás prontos para beber, que em geral, tem adição de aromas.

Sobre a autora

Engenheira de alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, e doutora em nutrição pela Universidade Estadual de Campinas e pelo INRA, na França, Georgia Castro passou mais de 20 anos na área de assuntos científicos e pesquisa aplicada de algumas das maiores indústrias de alimentos do mundo, conhecendo como poucos os bastidores da produção daquilo que chega à nossa mesa. Atualmente, trabalha como coach de saúde e bem-estar.

Sobre o blog

Um espaço para você saber a verdade e compreender a composição dos alimentos embalados, aqueles que compramos no supermercado, nos atacados, nas lojas de conveniências ou que pedimos em cantinas, lanchonetes, bares e outros locais tão presentes na vida cotidiana. Assim, com informação, você será capaz de fazer escolhas de forma mais consciente.